domingo, 11 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

3ª DIVISÃO [RAIVA]...



Compilação produzida por RAIVA há já algum tempo e conta com muitas participações... Quem conhece o Raiva e os seus trabalhos certamente, não exitará em baixar a cena.

Tracklist:
01. Introdução
02. 3ª Visão - Conhecimento e informação
03. Feka - Oráculo (a 3ª pessoa)
04. Jade - Paz sem justiça é utopia
05. Black Sam - Choro de um lobo
06. Mr. Al - Mulher negra consciência
07. Flagelo urbano - Sentimento nacionalista
08. Mukwanha - Mestre Samanhonga - Civilizações de
09. Griote Mc - Wima Nayobe - Vanguarda Revolucinár
10. SM 20 - Raiva - Moça - Atalia - Aderito - A gló
11. Fusão Mistica - Naquele tempo era (tema sentime
12. D.C. - Ignorância
13. Mc'K - Eu sou o musseque
14. Fusâo Revolucionária - Quem foi que disse
15. Subversivo - San - Águas turvas
16. N'zola Messo - Cambila - Incomodo
17. Traficantes líricos - Realidades de uma perifer
18. Pelotão 5 - Senteses e sincronas
19. Raiva - Puto K - Últimos suspiros
20. Justo Mc - Patriota Revoltado - Aberração menta
21. Supremo Regimento - Raiva - Feka - Relatório do
22. Conclusão

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PROMOS DA MIXTAPE SINTONIZA [KADAXTRO]....



Tracklist:
01. Não Me Param
02. São Cenas
03. Sixteen

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PROMOS MIXTAPE K.O. VOL. 2 [B2M]

Deixo aqui as músicas promocionais da Mixtape K.O. Vol. 2 de B2M, integrante do grupo Mad Niggaz. Curtam...

Tracklist:
01. Freelancer
02. Como Se Fosse Um Inválido
03. Eu Sou Um Black Rapper Com Atitude
04. 130 Barras de Ouro Pt. 2

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AZAGAIA EM CONCERTO NA DINAMARCA...



Centro Cultural dinamarquês Svanekegaarden convidou o rapper moçambicano AZAGAIA para, durante 3 semanas, participar de uma série de festivais e workshops em cidades dinamarquesas, nomeadamente Ilha de Bornholm e a cidade capital Copenhagem, de 16 de Julho a 8 de Agosto.

O rapper irá partilhar a sua experiência na abordagem de questões sócio em dois workshops que irão acontecer nas duas cidades, sendo que num deles será o orador principal.

Os dois grandes festivais em que irá participar são o Festival Fairtrade e o Festival Raw.

Destacar também que o AZAGAIA fará uma apresentação conjunta com o pianista clássico dinamarquês MARKUS KREUL.

XPIRACULO-MIXTAPE O FUTURO

Passei pelo Blog Movimento Golf II e encontrei o link da mixtape do mano Xpiráculo. A cena está fixe e aconselho todos os manos que curtem Hip Hop a baixarem a Mixtape.

domingo, 4 de julho de 2010

Afrika Bambaataa à beira da indicação ao Prêmio Nobel da Paz…



DJ Afrika Bambaataa














AFRIKA BAMBAATAA foi o grande influenciador de gerações por meio de uma Cultura (também criada por ele) que trouxe a Paz e o Respeito aos bairros pobres de Nova York, num período onde as gangues e as drogas dominavam as ruas em disputas sangrentas pela conquista de território…
Sua proposta libertária de vida ultrapassou as fronteiras do mapa e alcançou todo o Planeta através de quatro poderosos elementos: “DJ”, “Break Dance”, “MC” e “Graffiti”…


Suas reflexões acerca do “Conhecimento”, o 5º e principal elemento a ser seguido por seus adeptos, permitiu, não apenas que o preconceito entre etnias e raças caísse por terra, como proporcionou a compreensão e difusão desta Nova Cultura como filosofia positiva de vida para jovens, antes desassistidos socialmente em suas respectivas nações – porém, sempre respeitando e nunca interferindo em suas tradições culturais naturais, pelo contrário, primando sempre pela preservação destas.
Este é Kevin Donovan, conhecido mundialmente como Afrika Bambaataa”.
Nascido no Bronx (NYC), em 19 de abril de 1957, Bambaataa foi líder da mais temida gangue de seu bairro, a “Black Spades”, e após a morte de um querido membro de sua gangue, ao invés de dar prosseguimento a um confronto sem sentido em prol da honra de seu amigo, se auto-conscientizou acerca dos valores perdidos entre os incessantes conflitos envolvendo negros e latinos, resolvendo dar um basta às guerras…
Neste momento ele e seus amigos iniciaram no gueto um movimento pacifista entre as gangues criando em 12 de novembro de 1973 a “Universal Zulu Nation”, entidade que traria em sua bagagem valores de “Paz, Unidade, Amor e Diversão (com consciência)”.
Precisamente um ano após a criação da UZN, temendo pelo retorno de muitos ex-membros ao sombrio ambiente das gangues, Afrika Bambaataa resolve desenvolver uma filosofia de vida capaz de mantê-los distante de problemas, exercitando suas mentes no desenvolvimento e aprimoramento de seus dons artísticos: eis que surge o “Hip-Hop”, Movimento Cultural que se tornou a influência de muitos jovens, em todos os cantos do mundo, devido a sua origem histórica.
Ao longo de sua peregrinação pelo mundo em favor de um Hip-Hop autêntico, digno moral e socialmente e acessível a todos, Bambaataa esteve também a frente de movimentos importantes apoiando campanhas como “Libertem James Brown” – durante o período em que o Pai do Soul e do Funk esteve preso – e contra o “Apartheid, na África do Sul.
Desde então sua maior prioridade é tornar o verdadeiro Hip-Hop num instrumento propiciador (direto e ou indireto) de melhores condições de vida para jovens no mundo inteiro, fundando através das afiliações Zulus centros sociais que potencializadores na formação profissional e intelectual destes.
E agora, pelo reconhecimento de suas acções sociais em todo o mundo através do Hip-Hop, Afrika Bambaataa está prestes a se tornar um nome a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz, tal qual “Martin Luther King” foi merecedor em 1964, “Desmond Tutu” em 1984 e “Nelson Mandela” em 1993.
A indicação da personalidade ao Prêmio é baseada numa petição exposta à escolha popular. Dependendo do total de cooperadores nessa petição, o indicado passa a fazer parte de uma lista de nomes indicados ao Prêmio no respectivo ano… A partir dali uma comissão abalizada analisará o histórico de cada indicado… A premiação é de caráter anual acontece sempre no dia 10 de dezembro, aniversário de morte do químico sueco Alfred Nobel, seu criador.
Portanto, se você acredita que o Hip-Hop teve ou tem um papel importante em sua vida, no sentido de guiá-lo a realizações positivas perante a sociedade, directa ou indiretamente, compreenda que existiu alguém, um alguém que foi colocado a duras provas para trazer até você um Movimento Completo em auxílio a sua formação moral, por meio dos seus elementos culturais… Este alguém éAfrika Bambaataa!
Se você pensa desta maneira, então acesse: http://www.ipetitions.com/petition/nobel4bambaataa/ e contribua para o reconhecimento de uma Cultura com o poder de resgatar vidas tidas pela sociedade como irrecuperáveis…
Vida Longa à Universal Zulu Nation!
Vida Longa à Afrika Bambaataa!
Vida Longa à Cultura Hip-Hop!

ELEICY & BLACK...


Eleicy e Black, grupo musical do estilo Rap, Soul, R&B, formado há mais de 13 anos na cidade de Luanda, onde ambos os integrantes residem.

Entre várias participações e actividades de carácter musico-cultural, destaca-se a participação no projecto musical em homenagem ao Primeiro Presidente da Republica de Angola, Dr Agostinho Neto. Nesse projecto, intitulado "VOZES PARA NGUXI", o grupo fez um dueto com um dos mais consagrados músicos nacionais, Matias Damásio, cuja faixa intitula-se "HERÓI PARA SEMPRE".

Actualmente o grupo encontra-se na fase final da sua Primeira Obra Discográfica que trará 12 faixas inéditas do estilo Rap, Soul e R&B e conta com as participações de Kanda, Matias Damásio, Mauro e Elísio, Extremo Signo, Reade Neutro, Katia, Eliane de Jesus, Baby Max, Josemar e NO WACK.

A Primeira fase dos trabalhos está concluída e aguarda-se apenas a chegada dos CDs que estão a ser reproduzidos no Brasil.

O lançamento está agendado para o final desse ano, 2010, e logo que os Cds estejam em solo nacional, será divulgada a data de lançamento do mesmo.

O grupo tem 3 faixas promocionais que contam com as participações de Leu Love(em Vida Latona) e Extremo Signo(em Game Over).

Para baixar as tracks é só clicar no link:


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Vulkanuz - "MIXTRAP Vol. 1" EP [Download]


Vulkanuz dos MSul aliou-se à Hip-Hop-Sou-Eu para lançar o EP "Mixtrap Vol.1". Directamente de um dos berços do Hip-Hop de Portugal, Almada. Vulkanuz é um rapper da velha escola da Margem Sul e um dos fundadores da Click, Almada Chocolate Rock. Com um flow singular e inovador, acompanhado por uns beats tenebrosos, este rapper da margem sul, descreve a vida nas ruas de uma forma sincera e destemida. Para baixar é só clicar aqui:

Conjunto Ngonguenha - Tacklist e comentários

Bom dia pessoal, enquanto o CD não vem, mais uns detalhes sórdidos da que será o NÓS OS DO CONJUNTO, novo álbum do CONJUNTO NGONGUENHA:

Chamada – quem ainda se lembra do Mamborró, sucesso adolescente dos anos 80 e o seu grito de guerra “...quem é aquele que vem ai?” ai vêm os membros do Conjunto no seu segundo CD, a deslizar na voz do Mamborró “…. Quando eu passo pelas ruas as crianças berram: quem é aquele que vem ai?”.
Dia de aulas – A ideia desse som foi das primeiras a aparecer quando pensamos em fazer um segundo disco, o Leonardo já tinha a letra dele a algum tempo assim como o Zé Bolinho por isso foi simples misturar a água e o azeite. É mesmo só aquele relato de outro dia chato de aulas em que todos só queremos fugar, fugir, dormir... qualquer outra coisa, menos estar na sala de aulas.
Kibidi (a lenda do caixão vazio) – Esse som até chegar a historia do Caixão vazio demorou, primeiro era uma investigação privada do Sr. Jaime Bunda, mas acabamos por tornar o mambo mais simples, caixão vazio aparece na escola no último tempo... Correr ou correr... Mais nada, wís que se mijaram de medo, colegas que caíram no cocó... o sample com bastante Groove é da música N'zambi do André Mingas.
Sorriso angolano – a ideia deste som partiu do beat, o Conductor já tinha mostrado o instrumental a algum tempo e decidimos logo de primeira usar no disco, o original tinha um sample da música do André Mingas mas acabamos por decidir ter o Leonardo a reinterpretar o mambo. Cada um fala daquele sorriso que ta a faltar na cara de muitas pessoas pra podermos nos sentir mais "patrioticamente angolanos". Edu-ZP fez as honras e deu uma visão diferente ao sorriso angolano...
Vou te queixar - esta ideia partiu do nguimbola do grupo, Mayanda, que falou da letra praí umas 15 vezes antes sequer se termos lido a parte dele. O Conductor tinha lá um beat com sample do Totó (eu vou…) e decidimos misturar o trigo e o joio, a princípio tinha o sample do totó mas acabamos por usar as vozes dos putos que fizeram a intro do disco. O mambo é simples, vocês andam a dar cabo do país, por isso vamos vos queixar... tipo criança mesmo... vou te queixar!!!
Medo do regresso – a ideia deste som partiu de um e-mail que recebemos no myspace (broda esqueci o teu nome e alguém apagou o teu mail da caixa de correio) a perguntar se podíamos fazer um tema a falar dos jovens que regressam a banda e encontram tudo diferente do que tinham em mente... o Conductor só se meteu na pele do rapaz que tem medo de voltar (porque ele tem mesmo medo) e o Mayanda e o Leonardo tomam 2 opiniões diferentes sobre o regresso.... Este som já passou por uns 3 beats diferentes, (um com guitarra do Papá Juju dos Terrakota, outro com um coro do disco do Rhymman), mas quando pensamos no tema entrava mais na onda ter um sample africano meio triste e uma voz angolanamente sensual.... Kanda fez as honras e está tipo Salif Keita da banda...
Kem manda mais fuma – já tínhamos em mente fazer um novo som com a interface televisiva do primeiro disco de volta (Ecos e Factor) a ideia partiu do famoso programa Janela Aberta da TPA onde Bento Kangamba e o Riquinho mediram forças ao vivo e debruçaram-se sobre a seguinte questão:   quem tem e como se gasta mais dinheiro. Ai, apenas  anunciamos o retorno da excelentíssima Sandra Tritritri, após algum tempo de ausência... 2 convidados (Azhar e Muginga) a falar de como se gasta dinheiro na actualidade angolana...
Namorada do Conjunto – a ideia deste foi do Ikonoklasta, tudo começou com os kambas no clube a tchillar e a falar das damas que já pincelaram... a reviravolta é quando descobrem que afinal todos namoram a mesma dama… saiu confusão. O Conductor pegou no sample dos Jovens do Prenda da música "Namorada do Conjunto" e convidamos o Legalize para reinterpretar o coro, a Petty fez de moça direita e nos deu carga.
Julieu e Rometa – este som fazia todo o sentido por no disco porque tanto o Joel, o Kapa e o Leonardo tinham umas histórias interessantes sobre os pedidos que o people andava a fazer na banda. Decidimos então distribuir tarefas, noivo (Ikonoklasta), noiva (Isa Tchissola), tio do Sul (Mc Kapa), tio do Norte (Leonardo) e para finalizar o tema como deve de ser... no refrão o grande Keita Mayanda reinterpreta os Irmãos Kafala... Querem mais quê???!?!?!?!?
Tia – uma homenagem as nossas tias, tanto a da esquina, como a da limpeza, a que vende kitaba, a que vende pincho, a todas elas. O som partiu do beat do Conductor com o sample do Artur Nunes, o próprio Artur Nunes mais o Legalize no refrão a por muamba de jinguba nos nossos ouvidos.
Tou a falar pra ti - a ideia deste som é falar da forma como os imigrantes tem desrespeitado as tradições e o próprio angolano, principalmente nos últimos anos. Há uma nova vaga de imigração e decidimos abordar um coxe o assunto, atirando algumas preocupações ao ar para ver se o pessoal consegue abrir um pouco mais o olho. O beat tem  aquele tom de rebita misturada com sungura e decidimos explorar o contraste entre a alegria do beat e  uma letra mais séria e menos focada na dança.
Ninguém Nos Sungura – No verão de 2007, o McK passou por Lisboa e curtiu muito desse instrumental, fez o coro quase instantaneamente, na altura gravamos a ideia e decidimos mandar um propz aos zairenses que influenciaram tanto a música angolana. O primeiro a escrever foi o Leonardo, logo a seguir foi o Conductor (o wí do cabelo mais bonito mas que está a ficar careca) e a seguir o Mayanda fechou o brinde... É basicamente um som de ego-tripping à la Ngonguenha, é como se o  Kanguei o Maiki, tivesse ressurgido em Kinshasa.

(Info: Wakuti Music)

MC´S EM ESTILO CLÁSSICO | MIXTAPE DOWNLOAD


Download Link: http://www.mediafire.com/file/n14zzctlziz

terça-feira, 29 de junho de 2010

DR PAM - XÊ MO'WI (NÃO FAÇAS CONFUSÃO)

MAIS UM SINGLE PROMOCIONAL DO ALGUM REUNIFICADO
XE MO'WI (NÃO FAÇAS CONFUSÃO) - DOWNLOAD

segunda-feira, 28 de junho de 2010

MIXTAPE "O ÚLTIMO SAMURAI" VOL.02 - BOMBLIST



Conjunto Ngonguenha - A capa

Pois é manos,enquanto o CD não chega os Manos do Conjunto Ngonguenha divulgaram a capa do novo álbum. O conceito é baseado nos cadernos de escola dos anos 80 e 90. Quem se lembra?

domingo, 27 de junho de 2010

Allen Halloween - Entrevista em Vice PT



Já não me recordo exactamente de quem me falou pela primeira vez do Halloween, mas lembro-me que foi no contexto de fazer uma série de entrevistas a G Rappers portugueses. De facto a primeira vez que o ouvi fiquei imediatamente rendido à “fraca” qualidade do som dele, recordando-me as primeiras cenas de WTC. Isto só acontece quando o factor originalidade ultrapassa largamente a qualidade de uma grande produção, ou um grande estúdio – “Yes Baby I Like It Raw!”. Allen Halloween faz rap desde os 16 anos e editou o seu primeiro álbum, Mary Witch, em Outubro de 2006, tendo-se tornado num fenómeno de sucesso no universo do hip-hop nacional. Nasceu na Guiné-Bissau e aos quatro anos emigrou para Portugal. Do bairro Azinhada do Barruncho, num subúrbio de Odivelas, mostra uma face oculta do país, mostra de forma crua tudo o que os outros não mostram. Cresceu nos subúrbios entre rusgas policiais e rixas em discotecas, tem muito para contar e aproveita a música para o fazer. Fomos a Coimbra, ao Via Latina, e mesmo antes de um concerto, fizemos a primeira entrevista ao Halloween com a promessa de irmos a Odivelas muito em breve.
Vice: Se te disser que a forma como cantas faz-me lembrar o ODB e os teus instrumentais Wu Tang Clan, ficas ofendido?Halloween: Não fico nem um bocado ofendido. Eu gosto muito de Wu Tang, mas acho que tenho o meu próprio estilo e trabalhei muito para criá-lo.
Vice: As tuas rimas são relatos reais da tua vida?
Halloween: As minhas letras são pedaços da minha vida e daqueles que me rodeiam misturados com a minha arte. Não há nada que tenha escrito que não tenha vivido, visto ou sentido.
Vice: Dizes que não tens de chegar aos outros, mas os outros é que têm de chegar a ti, isso quer dizer que te estás a cagar para toda a gente?
Halloween: Eu nunca disse isso. Dei uma entrevista ao Público e quando questionado, se não temia que muitas pessoas não entendessem algumas expressões utilizadas por mim, respondi que nem sempre temos que ser nós a chegar aos outros, às vezes os outros têm que chegar a nós. Acho que cada pessoa anda na sua direcção mas quando queremos encontrámo-nos.
Vice: Qual é a história por detrás da música Fuck y’All yo?
Halloween: Fartei-me de ouvir mentiras. Acompanho o movimento underground “tuga” desde do início. Inicialmente era um grupo de putos que combatia o “sistema”, que depois no final acaba por fazer parte da criação desse mesmo “sistema”. Basta ires, por exemplo, ao Myspace desses combatentes do “sistema” e vê o grupo de amigos deles, e está lá o “sistema” todo. Falo duma elite do hip-hop “tuga” que dão festas entre si, gravam entre si e bloqueiam o acesso de outros rappers a lojas e outros meios de divulgação e venda. Eu senti isso na pele. O meu trajecto no hip-hop foi muito difícil, venho directamente da rua para os ouvidos do mundo.Popo:
A primeira vez que qualquer pessoa ouviu falar de Halloween não foi porque cantou na mixtape do DJ “x”, ou porque fez uma participação no álbum do conhecido 
rapper “y”, ou cantou na festa de lançamento do MC “z”, não, não houve nenhum convite nesse sentido. Finalmente, quando o meu CD saiu e começaram a chover telefonemas de todos, a música Fuck y’All yo não poderia ter outro nome e as coisas mudaram muito desde daí. Desde esse som novos talentos surgiram sem terem de lamber botas a essa elite. Acho que esse som traumatizou muita gente. Foi o único punchline que fiz até hoje e, hoje ainda fazem respostas a esse som… Mas eu já “bazei” há muito tempo. Existem coisas que me preocupam mais.
Vice: O 50Cent foi a Angola e foi roubado em pleno palco, tu foste lá dar um concerto e para além de não ter havido confusão, foste considerado o maior. Vês aqui uma evolução, uma demonstração de respeito?Halloween: Não se trata de evolução ou respeito, trata-se de inveja. O 50Cent foi a Angola e foi atacado por um invejoso qualquer à procura de protagonismo. Em termos de fama, ao lado de um 50Cent, eu ainda não nasci. Mas também já senti na pele esse lado oportunista e invejoso de algumas pessoas. Tenho tido sorte, os invejosos comigo têm-se dado mal. A minha “tropa” não dorme em serviço e olho gordo a gente vê à distância. Acho que há pessoas que só vivendo duas vezes irão perceber que os 50Cents, os Marilyn Mansons ou os Halloweens são o que são, não por serem maus ou gangstas ou malucos, mas sim porque a arte deles toca-as.

Vice: Mas em Angola és o número 1.
Halloween: Angola tem uma cena… o povo Angolano saiu da guerra…, mas mesmo durante a guerra, foi um povo que sempre gostou de se divertir. Os que estão aqui em Portugal também gostam de se divertir. Acho que os Angolanos se identificam comigo. Ao fim e ao cabo, há muitos rappers que falam mais ou menos daquilo que eu falo, mas falam em crioulo, e então os Angolanos revêem-se naquilo que digo.
ViceComo é que é a vida dos Angolanos aqui em Portugal?
Halloween: Bem… Agora também já há Angolanos milionários que andam a comprar esta merda toda! Mas como foi a vida deles? Eu já estive com Angolanos ali no CEF para tentarem arranjar documentos. São esses que se revêem na minha música… Angola, em certos pontos, é pior que Portugal. Quando fui lá, só para te dar um exemplo, estive no Rangel, que é um gueto, e estive no Chill Out, que é uma discoteca com um nível que aqui em Portugal nunca fui. É tipo 8 e 80. Tens pessoal a vender água e gelo na rua, e no Chill Out parecia que estavas em Miami. É por isso que vou lá cantar e há muita gente que se reconhece naquilo que eu digo. Uma coisa que nunca tinha visto antes de ter estado em Angola, foi estar no palco a cantar e estar um gajo no público a olhar para mim a chorar. Fiquei mesmo…, porra! Acho normal.
Vice: Em Portugal pouca gente conhece o teu trabalho. Trabalhas há quantos anos?
Halloween: Depende do que significa trabalho para ti. Rap. Vou dar-te uma dica. Desde os 16 anos, talvez 14, que faço rap. Sempre escrevi desde puto, desde os 8 anos. Sempre gostei de escrever. O primeiro gajo que apareceu no meu bairro a rimar, foi o Bottle, o primeiro MC que vi. É um gajo que foi da minha crew, foi para a Irlanda à procura da vida. Antes de ter visto qualquer rapper aqui em Portugal, vi-o a rimar e passado uma semana já tinha melhores rimas do que ele porque eu já escrevia. Não escrevia rap, mas escrevia textos e coisas que rimavam. Foi mesmo só apanhar o flow e depois a cena começou a crescer. Uma coisa normal. Não te vou mentir, tenho influências de Wu Tang, Tupac, mas tenho o meu próprio estilo. No fundo os estilos misturam-se e eu tenho o meu flow original.
Vice: Normalmente os rappers não falam dos projectos mais pequenos. 
Halloween: Isso é inveja.
Vice: Queres mandar um shout?
Halloween: Submundo, Dominus Familia, Goia, Kriminals Familia, J Cap, Drunk Master, TWA, gajos que trazem coisas novas. Há gajos que não me vêm à cabeça agora mas estes são gajos que trazem coisas novas, vocabulário novo. Inventam uma palavra e amanhã está na rua. Kapataz, Dealema, do Norte. Sebeyks, Kromo Di Ghetto, são tantos…
Vice: Isso é muita gente. ‘Tá-se bem?
Halloween: Sim, ‘tá-se bem. Mas se for preciso mandar alguém para o caralho, também mando. E há gajos que levam isso para outras cenas. Se não gosto de um MC começa-me a vir a cara dele à carola e a virem as dicas, escrevo e canto. E depois? Ele vai ver-me na rua e vai querer matar-me? [risos] É o que penso deles. Há gajos esquizofrénicos, doentes, falam mal de mim, vejo-os na rua e dão-me vontade de rir. Podia agarrar e metê-los na mala do carro e levá-los para o meu bairro, mas não. O pessoal pode dizer o que pensa de alguém sem ofender.

Vice: Acreditas que existem pessoas que têm medo de marcar um concerto teu?
Halloween: A cena não é o pessoal ter medo de me convidar para concertos. O pessoal tem medo de ver concentrados num sítio 100 pretos ou 100 gajos do bairro “não sei quê”. Têm medo de concentrações. Há certos sítios em Lisboa que, se me convidam para ir lá cantar, acontece isso. Mas eu não tenho nada a ver com isso porque sou músico, é o meu trabalho. Estou lá no meu canto e o que se passa a seguir ultrapassa-me. A cena é essa. Não posso controlar. Não posso chegar ao palco e dizer ao pessoal para não fazer confusão. Isso é um problema dos seguranças, eles é que ganham dinheiro com isso. Eu vou lá cantar o que tenho para cantar e vou-me embora.
Vice: Já foste convidado para aparecer na TV ou falar em rádios nacionais?
Halloween: Para te falar a sério, convidam-me para algumas coisas, para outras não. Vou dizer-te uma coisa, eu faço música e tudo aquilo que acho que vai levar a minha música além. Não tenho daquelas cenas: o Halloween é underground e não passa na MTV. Se leva a tua música além e não te põe a lamber botas… Se me queres pegar assim está bom! Eu dou-te o produto final e tu fazes o que quiseres. Por exemplo, nós estamos a conhecer-nos agora… E eu tenho tempo!
Vice: Compreendo.
Halloween: Sabes que não tenho manager e isso até fazia bem à carteira, mas também não tenho prazos, gravo o que quero e quando quero. É uma cena indie.
Vice: Tens data para o próximo álbum?
Halloween: Agosto, se Deus quiser. Mas trabalhos indie não têm prazos.


ENTREVISTA EXTRAÍDA DO BLOG 
madkutznews.blogspot.com